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Desafios na produção de alimentos


Desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a guerra interrompeu os embarques de fertilizantes. A Rússia é o maior exportador mundial de fertilizantes nitrogenados e ocupa o segundo lugar nas exportações de fertilizantes de fósforo e potássio. A Bielorrússia, um aliado russo que também enfrenta sanções ocidentais, é outro grande produtor de fertilizantes. Além disso, ambos os países respondem coletivamente por mais de 40% das exportações globais do nutriente potássio.

O principal destino das exportações de fertilizantes da Rússia são grandes economias como Índia, Brasil, China e Estados Unidos. Muitos países em desenvolvimento – incluindo Mongólia, Honduras, Camarões, Gana, Senegal e Guatemala – dependem da Rússia para pelo menos um quinto de suas importações de fertilizantes. Além disso, a guerra intensificou tendências que já estavam atrapalhando a oferta, como o aumento do gargalo por grandes países produtores como a China e os saltos acentuados no preço do gás natural, uma matéria-prima fundamental para a produção de fertilizantes.

Isso ocorre em grande parte porque a Rússia e a Ucrânia juntas respondem por quase um terço da oferta global de trigo. O trigo é uma das culturas mais utilizadas no mundo anualmente, usado para fazer uma variedade de produtos alimentícios como pães e massas. Além disso, a Ucrânia também é um grande exportador de milho, cevada, óleo de girassol e óleo. Como resultado do bloqueio, as exportações de cereais e oleaginosas da Ucrânia caíram de seis milhões de toneladas para dois milhões de toneladas por mês, uma redução superior a 60% do volume mensal.

Além da guerra na Ucrânia, fatores como a pandemia de COVID-19 e as mudanças climáticas resultaram em restrições na produção de alimentos. A indústria vinícola da França teve sua menor colheita desde 1957, com uma perda estimada de US$ 2 bilhões em vendas devido a temperaturas cada vez mais altas e condições climáticas extremas.

Calor, seca e alagamentos também dizimaram colheitas na América Latina, América do Norte e Índia recentemente. Entre abril de 2020 e dezembro de 2021, os preços do café aumentaram 70% depois que secas e geadas destruíram parte das lavouras. Diante de múltiplas crises, o Banco Mundial anunciou recentemente um apoio financeiro a projetos em áreas como agricultura, nutrição, proteção social, água e irrigação, o que demonstra claramente que a crise é mundial.

Diante de todas essas informações percebemos que a elevação dos custos afeta todos os países, incluindo o Brasil, desde o produtor rural até o consumidor final no supermercado.

Neste cenário um tanto quanto atípico é notado uma busca por alternativas como exemplo a fonte de proteínas: "Quando a carne de primeira começa a ficar cara, os consumidores migram para as de segunda, depois para frango, suínos e ovos".

Nesta mesma linha, produtores rurais também buscam reduzir os custos de produção, com alternativas que não afetem sua produtividade, e é uma oportunidade para experimentar novas tecnologias e novos manejos, visando conciliar economia e produtividade. Estar aberto a repensar a operação, dar oportunidade à produtos até então não utilizados, novas tecnologias e soluções é importante diante da escalada do custo de produção.

“Na crise que se cresce” essa frase pode ser percebida como clichê por muitas pessoas, mas acaba tendo maior relevância neste cenário desafiador que estamos passando. Crise se origina do grego “krísis” e significa separação, mudança, decisão ou transformação. Adaptando para nosso cotidiano, o cenário atual, pode ser uma oportunidade para mudanças e decisões que até então estavam sendo postergadas, e diante dos desafios atuais, acabam por implementadas, buscando solucionar os inúmeros obstáculos impostos a todos.

 

Fonte: Bruno Venditti e Sam Parker, julho de 2022 – Adaptado por Renato Almeida.

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